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[O Essencial - Conto 3] Thiago

27 de fev de 2015

   
Foi tudo muito rápido, a um tempo não diria que tinha um plano ou meta para minha vida, ela me fez mudar, bom não exatamente ela, tudo o que aconteceu na verdade. Foi o ano da minha vida...



Vamos do começo, ou seja, da parte em que eu era nada mais que um carinha sem perspectivas. Dezoito anos, desempregado, com más companhias, fui bem na escola, me formei com notas aceitáveis, não tinha muitos amigos, os que consegui, não foram os melhores, usávamos de tudo, de maconha à crack. 

Matávamos aula com frequência e íamos para a pracinha perto da escola, era relativamente fácil conseguir drogas, claro que alguém sempre tinha um contato ou coisa assim, mas eu mesmo só peguei diretamente com o “dono” uma vez, passávamos o dia lá, ou íamos pra algum lugar mais parado, sem muitos olhares alheios, um dia um dos “amigos”, vamos chamá-los assim, trouxe uma garota, Iza, com z mesmo, uma garota legal, de cabelos castanhos até o ombro, e uma olheira estranha, que fazia destacar seus olhos azuis, nunca troquei uma palavra com ela, eu sou tímido, e mesmo sobre o efeito constante do que fosse não criava coragem para nada, então ficávamos só fitando um ao outro. 


Ela era linda, provavelmente da minha idade, não houve tempo para perguntas ou conversas. Depois de uma semana que ela começara a andar com a gente, o “amigo” que a tinha nos apresentado chegou e disse que ela tinha morrido, simples assim, ele estava realmente deprimido, por isso pegou a ponta de outro “amigo” e só depois de um trago, contou a história, ela convulsionou no próprio quarto durante a madrugada, os pais só a viram de manhã, já morta. Fiquei chocado, mais uma pessoa do meu “ciclo social” havia me deixado, e nem sequer conversado com a garota eu tinha feito. Passei a ponta para outra pessoa e fui pegar uma garrafa de vodka que sempre carregávamos.

   - Já que não a conhecíamos muito bem, o máximo que podemos fazer é beber em sua homenagem. – eu disse, como se fosse algo importante.
   - Bem que você queria ter conhecido ela né, Thiago! – Um “amigo” disse. – Enfim, a Iza! – E virou um gole.

Passávamos nossos dias assim, fumando, cheirando e bebendo por futilidades, quando não achávamos um motivo, simplesmente fazíamos mesmo assim. Eu estava viciado, não o tipo de vício que me faria vender minha roupa para conseguir algo(talvez  porque não precisasse), mas não havia um dia em que eu não fosse atrás de alguma coisa. Até que fomos aquela festa.



Um carinha que um dos "amigos" conhecia o convidou, fomos todos. Nosso grupo era formado por seis: Eu, magrelo, de cabelos escuros e cara de defunto; Caleb, um garoto de dezesseis anos, com cabelos loiros, que mais pareciam um ninho de pássaros; Zack(José, mas diz que iria mudar seu nome, portanto que o chamassem assim), o mais velho na época, com dezenove e cabelo crespo sempre curto; Ana, a única garota do grupo, cabelos sempre mal cortados por ela mesma até os ombros, as cores variavam, de castanho a roxo, a indecisa; João, dezoito, era da minha classe, tão magro, alto e lerdo que mais parecia um personagem de quadrinhos, do tipo figurante que morre em algum momento por não agir na hora certa e por fim, Gus(como o de ACEDE, por que ele namorou um mina que tinha câncer, ela se mudou e ele não teve mais notícias dela).



Foi a primeira e única festa em que estávamos todos juntos, bebemos e fumamos muito, todos na festa estavam, claro, mas "os amigos inseparáveis" estavam tão loucos que quase não paravam em pé.



Eu estava bebendo e fumando desde as nove da noite, as vezes cheirava, quando foi umas três da madrugada comecei a passar mal, vomitei na calçada da rua. Decidi ir embora, até por que minha casa não era longe. Nem avisei ninguém, estávamos tão altos que nem se eu os avisasse reparariam. Meus pais já dormiam e decidi olhar no celular, umas vinte chamadas deles, mas então não vi mais nada, cai duro no chão, eu estava convulsionando, só soube disso quando acordei no hospital com meus pais chorando. Prometi que faria tudo diferente, mas só prometer não bastava, eles me pediram para ir a uma clinica de reabilitação e estranhamente não relutei sobre essa decisão, talvez porque no fundo eu soubesse que era o certo. E foi mesmo.


Eu a conheci lá, e ela mudou tudo, me salvou, nos salvamos um ao outro...





Texto por Rafael P.c
É isso ai, espero que gostem, até a próxima semana!
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