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[Especial de 1 Ano CYI] Entrevista com o autor MJ Macedo

11 de ago de 2014

Bom galerinha, cá estou eu para iniciar a nossa semana de aniversário de 1 ano do Can You Imagine. E para começar essa semana em grande estilo, eu fiz uma entrevista com MJ Macedo o autor de A Espetacular Vida da Morte, que você acompanhou aqui no blog (caso não tenha lido, clique aqui) Então vamos para a nossa entrevista com MJ Macedo.



1. Pra começar, fale um pouco de você para aqueles que não te conhecem.

Vamos lá. Eu comecei trabalhando, lá atrás, numa galáxia muito distante, como quadrinista, pros States. Isso eu devia ter meus 15 anos. Com o tempo fui indo pra outras áreas, como concept arts pra filmes e games. Mas minha vontade sempre foi poder criar e escrever minhas próprias histórias e personagens.

2. Vou te fazer uma pergunta que quase ninguém deve ter feito, porque você decidiu escrever um livro? Como e quando isso começou?

Eu sempre escrevi muito. Muito mesmo. E estou o tempo inteiro pensando em roteiros, diálogos aleatórios e histórias. Adoro criar personagens, universos, situações, etc. Comecei minha carreira como ilustrador, porque foi mais fácil para eu entrar no mercado de entretenimento dessa maneira. Mas sempre tinha na cabeça que no futuro, queria roteirizar e escrever sobre meus personagens. E lentamente fui virando ghost writer, copydesk e consultor de alguns outros escritores e roteiristas.

Eu já escrevia muitos roteiros dos meus personagens, mas para HQs. Um dia meu amigo, no telefone, comentava comigo que eu tinha esse senso de humor negro e devia escrever algo do gênero. "Algo como tipo... uma espetacular vida da Morte?", disse pra ele. E foi daí que tive a ideia pro meu primeiro livro, como autor.

3. Porque você decidiu falar sobre a vida da Morte? Não poderia ser, sei lá, a vida do Coelhinho da Páscoa ou do Papai Noel?

Isso vem do meu senso de humor ácido. Eu devo ter algum parafuso a menos aqui dentro. Raramente me abalo com tragédias e coisas que geralmente fazem a maioria das pessoas se emocionarem ou chorarem. Ao contrário, sou o primeiro a pensar num comentário engraçado pra fazer sobre a situação. Mesmo que muitas vezes me contenha, por respeito. A ideia de usar a Morte veio literalmente por conta do nome do livro. Tinha esse título na minha cabeça, desde a conversa com meu amigo. Um dia sentei e comecei a escrever aleatoriamente uma cena, entre a Morte e um repórter que a entrevistava. Mas foi algo bem orgânico. Acho que só depois de ter umas 10 páginas escritas realmente parei pra pensar no que queria fazer com elas. E daí veio a história completa.

4. Como foi o processo de criação das personagens? Elas são muito bem construídas e têm personalidades únicas, sem falar no cenário em que ocorrem as situações que é muito bem feito.

Para a Morte queria fazer alguém que fosse o oposto do estigma que se tem da figura mitológica. Ela seria terrivelmente humana, nas qualidades e defeitos. Queria que o leitor tivesse a impressão que ele realmente pudesse encontrar um dia com a Morte e conversar sobre um programa de TV ou qual seu restaurante favorito. A ideia que ela enxergasse com naturalidade qualquer situação e tivesse essa ignorância sobre qualquer coisa do cotidiano sempre estiveram em mente, desde o início. Seria de onde eu tiraria a veia cômica da história. Algo como os antigos personagens do Jerry Lewis (isso é véio, hein?). 

Quando percebi que Horácio, o repórter, seria tão dono da história quanto a própria Morte, entendi que ele precisaria ser engraçado por si só. A primeira coisa que me veio a cabeça foi um misto de Inspetor Clouseau, do Peter Sellers, com aquela pitadinha de Frank Drebin, do "Corra que a polícia vem aí". Ele seria o tipo de idiota mais perigoso que existe: o que ignora completamente que é um idiota.

5. Quais são as suas referencias e de onde você tirou inspiração pra fazer seu livro e teve algum causo seu que foi usado no livro?

Isso é algo engraçado. Ao mesmo tempo que eu queria fazer um livro de humor tinha pouquíssimas referências de outros livros de humor. Alias, percebi que existem poucos livros de humor, humor mesmo. Daí tive que me agarrar no cinema, pois era essa a sensação que eu queria passar pro leitor. Posso dizer que, lá no fundo, tem um Douglas Adams dizendo "oi", no livro. Mas 90% é pura comédia nonsense da década de 80/90, Peter Sellers, desenhos animados e Monty Python. Tive uma preocupação em tentar trazer um humor mais nacional, mais brasileiro pro livro. Pra parecer algo genuíno. Por isso adicionei esse toque mais escrachado, que é tipicamente nosso. Se o humor inglês é aquela luva de pelica, a gente bate com luva de boxe mesmo.

6. Meus capítulos preferidos são "Disque F para Fadinha" e "Patins Cor de Rosa". Tem algum capítulo que é o seu ‘xodó’?

Gosto muito do capítulo das Fadinhas, tanto que tenho ideia de um projeto paralelo só com elas. Mas acho que o capítulo que a Morte tenta virar cozinheira e que o Palhaço Cimplão briga com o Papai Noel na loja de brinquedos foram alguns dos mais divertidos de se escrever.

7. Como sua vida ficou depois da publicação d’A Espetacular Vida da Morte? Qual a sensação de ter o livro com ótimas críticas, dar autógrafos e essas coisas?

Não sei explicar ao certo. Meus últimos anos tem sido uma loucura. Passei anos por maus bocados, sacrificando muita coisa, pra um dia poder realizar meu sonho de ter meus personagens na mídia. Quando o livro saiu, sinceramente não sabia qual seria a reação do público. Humor é algo bem delicado. Por mais que tivesse pensado muito em como fazer algo legal, rolava aquele medo da rejeição. Alias, meus primeiros 2 reviews foram terrivelmente negativos. Pensei que o livro seria um fiasco. E, de repente, começaram a vir as críticas positivas, notas altas e quando percebi meu livro tinha uma nota altíssima no Skoob e muita gente vinha falar comigo dizendo ser meu fã. E eu pensava "Como assim? Como um zé ruela como eu vai ter fã nessa vida?". É algo que ainda não consigo processar direito. Hoje em dia o mesmo produtores que me ignoravam há 5 anos atrás, ligam pra mim perguntando se tenho ideias pra novos projetos ou se posso ajudá-los nisso ou naquilo. É muito estranho ainda. Mas (acho) que estou gostando.

8. Qual sua opinião sobre os atuais escritores brasileiros (Raphael Draccon, Eduardo Spohr, Affonso Solano, André Vianco e afins), você acha que estão mudando a cabeça das pessoas que acham que brasileiro não sabe escrever livros bons?

Isso acontece no mercado de forma em geral. Desde o final de 2012, coisa de uns 4 meses depois de publicar o livro da Morte, fundei minha empresa de games, e no final de 2013 uma de entretenimento, voltada pra animações, séries, HQs e criação de franquias. E percebo que existe essa descrença, esse ceticismo com a produção brasileira. Ainda temos aquele ranço de "é nacional, é ruim" ou "ninguém vai conseguir fazer isso no Brasil". Mas, aos poucos, a cabeça da galera está mudando. Tanto dos editores, produtores, etc, quanto do público. E grande parte graças à literatura e essa nova leva de escritores que tem produzido coisas significativas e contínuas no Brasil. O próximo passo é elevarmos essas ideias para games, HQs, animações e filmes.

9. O que você tem a dizer para aqueles que querem escrever um livro, ou até mesmo aqueles que já têm o livro escrito e ainda estão procurando alguma editora para poder publicá-lo?

Todo mundo fala que você tem que ler muito, escrever mais ainda, e outras dicas bem óbvias sobre escrita. Mas creio que a mais importante, que ninguém fala, é sobre mercado: seja paciente. Às vezes demora pra conseguir entrar nele e mais ainda para conseguir se impor. Vejo que tem muita gente jovem nessa pegada e que é difícil segurar a ansiedade, a vontade de fazer, de acontecer. Mas calma, gente. Sério, persistência e paciência são 90% do segredo. Não assinem qualquer coisa, não aceitem qualquer proposta de editora. Se alguém mais experiente te der um feedback negativo, não leve pro lado pessoal. Reflita. Às vezes ali tem bons conselhos sobre como mudar sua história ou sua escrita, pra ser um projeto de sucesso. Se você realmente quiser e se esforçar, você vai conseguir. Mas sempre tenha isso em mente: paciência e sabedoria pra saber o momento certo de cada coisa.

10. E o que podemos esperar de MJ Macedo no futuro? Quais são os projetos que estão por vir?

Essa parte é complicada (risos). Estou fazendo tanta coisa atualmente que parece mentira. Ano que vem deve sair à continuação do livro da Morte: “Morte: livin' la vida loca” e outro romance meu, também de humor (estou dizendo em primeira mão o nome): “Clarice Winspector contra o Satélite Diabólico”. Em quadrinhos deve sair umas 3 graphic novels da Morte. E lá pro final de 2015 as primeiras revistas de um universo de super-heróis/ficção, meu, deve sair por uma editora nos EUA. Mas ainda não posso dar muitos detalhes sobre isso. Pra TV estamos finalizando a série de animação do “Wacky”, o mascote da empresa de games, que terá seus primeiros jogos anunciados agora na Brasil Game Show, em Outubro. Uma série de animação da Morte, depois de longa pré-produção, começa a ser produzida no 2º semestre junto com uma produtora parceira. E ainda tenho o piloto do “Cidadão Incomum”, nossa outra animação, voltada 100% para o público adulto, baseada no livro do mesmo nome, do escritor Pedro Ivo. Tem mais coisa, mas esses são os que estão se materializando já.

Cara, eu queria lhe agradecer por ter nos dado essa entrevista que foi sensacional de ser feita e parabenizar pelo sucesso do livro, agradecer também ao Vivacqua que falou sobre o livro no PLN. E antes de ir, você pode fazer o seu jabá, falar onde podemos te encontrar e entrar em contato com você.

Eu é que agradeço a oportunidade! E por terem gostado do meu livro bocó. No twitter vocês podem me encontrar pelo: @MJMacedo. Tem minha page no FB: MJMacedoworld. Ao que quiserem, sigam minha empresa de games: @thepixelsnack (twitter), PixelSnack (Facebook) e a de entreterimento: @stuplendo (twitter) e StuplendoEntertainment (Facebook). 

Curiosidades do Livro:

"O Sétimo Selo" foi uma inspiração indireta. Contém um easter egg na capa, em relação a isso. Na capa do livro a Morte esta segurando uma plaquinha. Na placa está escrito: DSI 1956INGB.

DSI é a abreviatura no filme em Alemão "Det sjunde inseglet". 1956 o ano de produção dele. E INGB uma abreviatura do nome do diretor. Caso queira saber "perfil 2005" é porque em 2005 foi quando escrevi a versão original do livro.

Espero que estejam gostando dessa semana comemorativa.
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2 comentários:

Nizete disse...

Adorei conhecer mais o autor e todo seu trajeto até o momento.
Estou na expectativa da continuação, embora ainda não tenha comprado o primeiro volume. Coisa que pretendo fazer breve.

Parabéns, bela entrevista!

Can You Imagine disse...

Também gostamos bastante de conhecer mais o que se passa na cabeça do MJ hahaha e ele é um amor de pessoa :)

Obrigado pelo seu comentário

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